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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Nove Nobres Virtudes - Colocadas em Prática - Parte I

Há alguns anos eu venho trilhando esse caminho da forma que só uma filha de um deus caótico, em sua completude, pode fazer. Os anos de caminhada por vários caminhos em busca de um pouco de sabedoria, ou de respostas (ainda que a cada resposta uma nova dúvida há de ser plantada). Eu encontrei uma das respostas que dentro do meu caminho foi à melhor que eu acredito ter obtido até hoje. Por mais clichê que isso possa parecer, a resposta é: nada muda se você não mudar.

Por que eu estou tocando na questão de mudança interior? Porque a felicidade está dentro de nós e não fora. E o nosso poder de escrever nosso Wyrd reside exatamente dentro de cada um de nós no momento presente. Eu não vou aqui falar por todo mundo, porque cada um de nós é um ser único, com uma história única e um Wyrd da mesma maneira individual. Mas também estamos carecas de saber que nosso Wyrd é constantemente influenciado pela grande teia. Somos altamente afetados por nosso ambiente e por ambiente eu quero dizer que “tudo nos afeta”. A musica que ouvimos, um filme que assistimos, um livro que lemos, um amigo ou nem tão amigo assim com quem conversamos, as pessoas que nos rodeiam, as pessoas que encontramos, nossos objetos, nossas casas, nossa cultura, nossa cidade, etc. Tudo isso está nos influenciando o tempo inteiro. Então aquilo que deveria ser o “nosso Wyrd individual” é na verdade uma colcha de retalhos de vários fios que acabam se entrelaçando com os nossos, seja pelo meio que for.

Portanto como Wyrd pessoal eu creio que a nossa primeira grande responsabilidade reside no que estamos fazendo com essas informações que vem de fora, pois creio que é estritamente necessário que não sejamos arrastados por qualquer vento. Eu faço parte de um grupo de auto-ajuda que tem uma literatura própria, usando de meios e terapias que são necessárias para efetivar uma mudança comportamental para assim alcançarmos um estilo de vida que procuramos alcançar. O enfoque é dado na mudança comportamental. E por que deve haver esse enfoque? Porque grande parte, senão todos os nossos comportamentos são condicionados e é exatamente aquilo que fazemos hoje que determina o nosso amanhã. Outra frase clichê: Se fizermos o que sempre fizemos, obteremos sempre os mesmos resultados. Nossas experiências no começo de nossas vidas, lá na nossa infância e idéias arraigadas e perseguidas em nossa adolescência podem ter se tornado ao longo dos anos de prática comportamental, uma forte crença subconsciente da qual não conseguimos mais nos livrar. Alguns dos motivos para a dificuldade de se mudar um comportamento estão:


  1. No fato de não mais nos lembrarmos da crença que nos motiva a se comportar de tal maneira.
  2. Na dificuldade de olhar para as nossas lembranças, em especial as dolorosas.
  3. Na capacidade doentia de nos julgarmos bons ou ruins o tempo inteiro, nos dividindo nos papéis de vítimas e carrascos concomitantemente, criando dessa forma um terrível sentimento de culpa. 
  4. Na habilidade incrível de mentirmos para nós mesmos na esperança de tentar esconder nossos próprios “defeitos”.
  5. Todo homem idiotamente teme o desconhecido e ele sempre é um desconhecido para si mesmo.


Posso enumerar mais uma porção de coisas, mas em geral esses são motivos fortes que nos impedem de mudarmos. Lá no começo de nossas vidas tivemos convicções e crenças, que praticamos tanto que acabaram se tornando praticamente orgânicas, altamente refletidas em nossos comportamentos, e, comportamentos tais que pela repetição já se tornaram tão automáticos que muitas vezes sequer damos conta de que estamos nos comportando assim. É por isso que muitas vezes nos ressentimos com pessoas que acabam falando que somos de um jeito ou de outro e pensamos que não ou não queremos admitir, e, na verdade muitas vezes achamos mais fácil achar que a outra pessoa está louca, ao invés de verificar que aquilo que ela disse tem algum tipo de fundamento. Às vezes é complicado porque não sabemos que agimos assim, já é tão comum, que passa por nossos olhos sem nem percebermos.

          Tendo falado um pouco sobre nossos comportamentos e em especial nossos comportamentos automáticos ou subconscientes. Entro na questão que eu realmente quero partilhar: Por que praticar as Nove Nobres Virtudes?

O que é virtude?

Quando nós falamos em virtude a primeira coisa que aparece na cabeça é uma questão de julgamento, religião e moralidade. Praticar o bem é uma virtude e o mal um pecado. Porém, vamos procurar de certo modo desvencilhar a palavra virtude da religião dominante, para tratarmos da palavra virtude como sinônimo de: “Qualidade própria para produzir certos e determinados resultados; propriedade, eficácia” – como retirado do dicionário Michaelis. Então, aqui vemos que virtude é a qualidade própria para produzir certos e determinados resultados. Partindo da idéia de que o que fazemos hoje, ou como nos comportamos hoje é o que determinará o nosso amanhã, então virtude é arte de produzir determinados resultados a fim de vivermos a vida da maneira como queremos viver. Ou de trazer uma mudança requerida para nossa vida.

Penso que a idéia das Nove Nobres Virtudes é fazer com que o homem viva a sua vida da melhor maneira possível. “Apenas a mente conhece o que reside perto do coração, quando ele está só com seus sentimentos; não há doença maior para o homem sábio do que ele mesmo não ser feliz”. – 95 Hávamál. E por que eu penso isso? Por que justamente essas virtudes é que servem para se ter uma vida feliz?

Qualquer caminho espiritual por aí vai ter um conjunto de preceitos e de normas que regem os costumes sociais de determinada época, povos ou filosofia. O que nós fazemos é encontrarmos um caminho espiritual de acordo com aquilo que nós nos identificamos. Quando paramos por um momento e falamos: “É isso aí que eu quero pra mim agora”, cabe de nossa parte colocar algumas coisas em prática para que possamos realmente experimentar e concluir se realmente isso nos serve ou se não. Então, voltamos logo atrás com os nossos comportamentos condicionados e uma mente cheia de crenças que tomamos para nós, sabe-se lá quando, altamente viciados e acomodados com o modo com que temos vivido nossa vida desde então, por mais que estejamos, muitas vezes, profundamente insatisfeitos ou ávidos em querermos algo diferente.

A proposta desse artigo e todos os próximos onde eu estarei falando sobre as Nove Nobres Virtudes, está num conselho dado numa das obras de Carlos Castañeda, onde é dito:

“Um guerreiro é um caçador. Calcula tudo. Isso é controle. Mas, uma vez terminado seus cálculos, ele age. Entrega-se. Isso é abandono. Um Guerreiro não é uma folha à mercê do vento. Ninguém pode empurrá-lo; ninguém pode obrigá-lo a fazer coisas contra si mesmo ou contra o que ele acha certo. Um Guerreiro está preparado para sobreviver, e ele sobrevive da melhor maneira possível.”

Em meu ponto de vista as Nove Nobres Virtudes são a base que direciona nossos comportamentos. Para tanto elas devem se tornar crenças orgânicas, as que ainda não são, rodando em looping em nosso subconsciente para se tornarem comportamentos automáticos e assim direcionando nossos comportamentos de acordo com elas. Particularmente creio que poucos de nós já possuímos todas essas virtudes por uma questão de cultura. Quem hoje em dia pensa em zelar pela hospitalidade quando vivemos numa sociedade que superestima o individualismo? Quem de nós está realmente se importando com a verdade quando sabemos que temos que matar um leão por dia e a manipulação é nossa melhor ferramenta? Quem de nós está realmente envolvido com a coragem em dias em que as pessoas são valorizadas pelo que tem e não pelo que são? Entre tantos outros exemplos, podemos perceber pela nossa cultura o quanto muitas dessas virtudes não estão no rol do nosso conjunto de normas estritamente egoísta e individualista, que é o que nossa sociedade moderna vem repetindo em nossa “educação”. Esse é sem dúvida um desafio para qualquer pessoa que pretende fazer um trabalho de metamorfose comportamental.

As perguntas iniciais são: Ter esse conjunto de virtudes realmente deixará a minha vida da maneira que eu quero viver? Quais os benefícios de cada virtude em particular? Qual o resultado que eu espero alcançar em minha vida com a prática comportamental baseada nas Nove Nobres Virtudes? E o que cada virtude significa pra mim?

Creio que responder sinceramente tais perguntas nos conduzirá para uma análise intelectual daquilo que queremos e do modo como queremos viver as nossas vidas, e se o resultado que espera alcançar com isso estiver de acordo com o modo que você procura viver sua vida, então a partir dessa pequena base racional é que deverá vir à ação. Lembrando que é uma questão de “re-educação”, onde a repetição, a atenção, a sensação de recompensa e o intento consciente que fará com que isso se torne de fato um hábito ou um comportamento condicionado, ou ainda o que chamei de uma crença orgânica.

Pela psicologia behaviorista Thomdike formulou “leis” de aprendizagem, a saber:

1 – A lei de prontidão – quando uma unidade de condução (neurônio e sinapse envolvidos no estabelecimento de uma ligação ou conexão) está pronta para conduzir, conduzir é gratificante e não conduzir é irritante.

2 – A lei do efeito – uma resposta é fortalecida se seguida de prazer e enfraquecida se seguida de dor ou castigo.

3 – A lei do exercício ou da repetição – quanto mais um estímulo-resposta for repetido e se conecte com uma recompensa por mais tempo será retido.

E aí? Vai encarar e mudar toda a sua base de valores?

Apresento as Nove Nobres Virtudes:

Coragem – Verdade – Honra – Lealdade – Disciplina – Hospitalidade – Laboriosidade – Independência – Perseverança

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Frith Dentro das Tribos Mordernas


Frith dentro das Tribos Modernas – A Alegria que ele traz.

Texto original de Mark Ludwig Stinson
Adaptação livre para o português por Geirrídr Odinsdottyr.

No Culture Of The Teutons de Vilhelm Grönbech, o primeiro capítulo é sobre Frith. Frith entre os Kinsmen.
Grönbech vai longe para explicar que Frith para os nossos ancestrais não é meramente “Amor”. Ele não é meramente “Paz”. Ele não é meramente “Cooperação”. O conceito de Frith é muito difícil de entender completamente para nós que vivemos nesta cultura moderna, longe de apresentar isso como um traço ou valor. E ainda, o conceito de Frith é o cerne da visão de mundo germânica.

No link a seguir você pode ler o Culture of the Teutons, ou pode comprar uma cópia impressa caso se adapte melhor aos seus hábitos de leitura, mas eu vou tentar discutir o Frith nesse ensaio, tal como ele existia entre os nossos antepassados, e, em seguida discutir o papel que ele desempenha em nossas tribos modernas.


O Frith foi uma profunda necessidade estabelecida para, em todas as coisas e todas as ações, ser considerado o “bem-estar e a honra de toda a família”. A família era então fortemente ligada como um grupo onde nenhum deles poderia sofrer sem que todo o grupo sofresse junto. O que uma pessoa fazia dentro do grupo era visto pelos outros como uma ação cometida pelo grupo todo. Um grande crime cometido por um membro colocaria em risco cada membro da família de pagar por esse crime seja por Shyld[i] ou como um assunto de vingança. Uma grande vitória ou feito realizado por um membro do grupo, era visto como uma vitória ou feito do grupo todo.

Essas ligações dentro das famílias era o estado natural das coisas. Não havia nada que poderia tentá-los de deixar de considerar a família como um todo. E um homem sem Kin (família) não tinha nenhum valor. Um homem que agia fora do Frith, era expulso e visto como menos que nada. Como parte de uma família, era totalmente esperado que ele atuasse em Frith para os outros membros, e por sua vez, esperava receber Frith em troca. Quando alguém tinha que confrontar uma situação difícil onde ele estava ligado pelo Frith, não havia sequer uma discussão ou a possibilidade de não demonstrar Frith. Não mostrar o Frith era quebrar os laços que fazem você um ser humano. Não havia discussão interna sobre o assunto, você simplesmente fazia o que tinha que fazer porque essa era a sua família, e isso é o que as famílias fazem.

Se um membro da família entrasse pela porta à noite e informasse a você que ele tinha matado um homem de outra família, você saberia imediatamente que num senso comum sua família inteira tinha matado aquele homem e que a vingança poderia se solicitada por toda a família do homem. Não havia dúvida de que você defenderia seu parente que tinha cometido o assassinato e o resto da sua família seria enviada, ou a fim de reuni-los para defesa ou a fim de fazer uma oferta de pagamento pelo ato.

Esses laços eram tão rígidos, que freqüentemente a vingança contra uma morte não seria procurada contra o próprio assassino, mas sim contra um homem da família do assassino que tivesse estreitamente alinhado a importância do homem morto. Se um homem importante de uma família tivesse sido assassinado por um homem humilde de outra família, era um insulto à memória do morto buscar se vingar do assassino humilde. Em vez disso um homem importante da família do assassino seria morto e assim restauraria a honra da família da primeira vítima. E essa prática era completamente entendida e justificada pelos laços firmes que existiam dentro das famílias e o conceito de Frith. O que um homem fazia, era considerado que toda a sua família também tivesse feito.

Se alguém que matou o primo do Godhi do local ou de um lawspeaker[ii], e então fosse ao mesmo lawspeaker para definir o Shyld e para que o assunto fosse resolvido, já sabia que deixar que o homem decidisse a questão não seria “justo” pelos padrões de hoje. Ninguém iria esperar que ele decidisse o assunto de uma forma equilibrada. Entendia-se que o morto era primo do lawspeaker e que por uma questão de Frith, o preço por essa morte seria muito maior do que normalmente poderia ser definido. Ninguém iria esperar que o lawspeaker fizesse qualquer outra coisa senão decidir o assunto com uma pesada inclinação para a sua família e sua perda. Ele entenderia que era errado matar o seu primo e que o preço deveria ser pago.

Se o corpo de um parente fosse levado para a casa, não importava o que havia o levado a morte. Eles não consideravam se tivesse sido morto por brigas pessoais ou por ações de sua parte. Lá estava um parente, morto por outro e o Frith e a Honra demandavam que o preço fosse pago.
O Frith entre os parentes existia no próprio ser. Não agir de acordo com o Frith a um parente era como se tivesse tirado algo de você que o tornasse humano. Aquele que quebrava esse laço era deixado sozinho no mundo e deixado de ser humano num senso comum.

Frith significa lealdade recíproca. Uma completa e falta de vontade de tomar uma medida contra seu parente. Um desacordo entre parentes pode se tornar numa discussão alta, raivosa e forte, mas o resultado final é sempre o mesmo. No final, os dois irmãos devem trabalhar no sentido de trazer uma resposta para manter a unidade de propósito entre eles. Interesses concorrentes e conflitantes podem surgir entre os irmãos, mas no final, um bom irmão é obrigado a se reunir com os seus parentes e chegar numa conclusão para resolver o assunto. A briga entre os irmãos não leva a morte como um resultado potencial, porque o Frith exige que um irmão não aja violentamente contra outro irmão.

Há até mesmo histórias no Lore, de dois homens que se encontraram em batalha e um sugeriu um nascimento ilegítimo e que eles poderiam ser irmãos. Um dos homens imediatamente se retirou com a idéia de que eles poderiam ser parentes, porque não poderia mesmo considerar a possibilidade de matar um de seus familiares.

Mas o Frith vai além de não machucar um parente, ou buscar vingança pela morte de um. Frith significa que você sempre terá um irmão ao seu lado. O lado dele é o seu lado. O seu lado é o lado da sua família toda. Mesmo no caso de você não gostar das ações e escolhas dos seus parentes, você pode expressar em particular o seu desejo para que eles ajam diferente, mas depois você se volta de qualquer maneira. Essa não é uma questão de dizer “Bem, você fez a sua cama” e ficar olhando de maneira neutra. Essa é sua família e você assumirá seu lado em cada questão.

“Todos devem dar lugar ao Frith, todas as obrigações, todas as considerações”. Nenhuma pessoa que esteja fora da família pode vir interferir com o Frith entre os kinsmen. Nenhum desacordo, nenhuma emoção, nenhum humor, nada pode estar antes do Frith.

O Frith não é passivo. Ele é baseado numa forte identificação e conexão com a família. Agir em Frith não era um fardo. O Frith trazia alegria, segurança e prazer. Só se pode ser feliz quando se vive em Frith com a família.

Para os modernos heathens, o conceito de Frith está no coração de nossas tribos modernas. Em nossa cultura, não existe uma família extensa, e ainda no núcleo familiar nós falhamos com isso. Na nossa cultura os parentes não sabem o que é ser uma família. Nossos parentes são muitas vezes de uma religião Universal que tem trabalhado por séculos para quebrar o Frith com parentes, a fim de manter a lealdade com uma igreja ou Deus.

Então, nós formamos kindreds. E essas famílias escolhidas assumem várias formas. Quando um Kindred é formado de várias famílias se unindo num grupo, eu prefiro chamar esse agrupamento social de “tribo”. Para essas tribos serem bem sucedidas, manter a estabilidade e nos trazer alegria, nós devemos retornar para uma compreensão total de Frith dentro de nossa tribo.

E qualquer um que está envolvido numa tribo heathen estável conhece a alegria que vem do Frith que compartilha com essas pessoas. Você as ama, confia nelas, você os tem não importa para o que, e eles te têm não importa para o que. Você se sente como se estivesse verdadeiramente vivo quando você está com eles e você sente a falta quando está longe deles, embora no seu íntimo você saiba que eles estão lá e sempre estarão lá para você. Para aqueles que têm experimentado o verdadeiro Frith, é fácil de entender porque esse sentimento tinha um lugar tão importante na vida dos nossos antepassados.

Nós devemos fazer nossas decisões e fazer nossas ações considerando o bem-estar de cada um de nossa tribo. O que um membro da tribo faz é considerado como se toda a tribo tivesse feito. Quando surgem desacordos, deve-se desde o início ter a conclusão inevitável que o único resultado possível é que o desacordo seja resolvido de uma forma que beneficie a todos. Os laços com aqueles que estão fora da tribo não podem ficar no lugar do Frith da tribo. Nenhum humor, nenhuma emoção, nenhum auto-interesse, nenhum conflito pode ficar no lugar do Frith.

Será que isso significa que nunca há divergências? Que ninguém nunca fica com raiva? Que você nunca contará para alguém de sua tribo que não gosta do que estão fazendo? Não, não significa nenhuma dessas coisas. Eles ainda terão desentendimentos, raiva e pessoas tentando guiar outra para longe das ações que possam ser prejudiciais para a tribo ou para elas mesmas. Mas o resultado final é sempre o mesmo. Ambas as partes envolvidas sabem desde o começo que o Frith deve prevalecer e os problemas devem ser resolvidos de um modo que beneficie a todos.

Essas são as pessoas que vão “ajudar a esconder o corpo”, como diz o ditado moderno. Essas são as pessoas que estarão ao seu lado não importa para o quê. Precisa de um lugar para ficar, a casa deles é sua. Precisa de um conselho, são eles que não se importam com um telefonema às três horas da manhã. Uma festa, eles estão lá com cerveja, pizza e um caminhão em movimento. E em troca, recebe a alegria de estar lá para eles também.

O conceito de Frith em nossas tribos deixa muito claro o cuidado que a tribo deve ter para a escolha de um novo membro. Conheça-os. Ensine-os. E o processo de inculturação[iii] se torna muito importante quando é entendido o tipo de vínculo que você está criando com um novo membro. Se a tribo permite a entrada de um membro problemático, o Frith será regularmente testado. Se a tribo permite a entrada de um novo membro que não entende o Frith ou não está disposto a se comprometer com o Frith, a segurança, o prazer e a alegria que vem do Frith serão diminuídos ou perdidos.

Na véspera de uma longa viagem com nosso kindred para um encontro pagão aqui na região, Jamie King, uma irmã de kindred me ligou e disse que ela já estava “Altamente Pagã”. Nós rimos e então falamos sobre como nos sentíamos maravilhados por saber que passaríamos todo o final de semana com os membros de nosso kindred. Viajamos juntos, trabalhamos juntos, encontramos com outras tribos juntos. Saber que é parte de um grupo e que você tem completa lealdade e Frith dentro daquele grupo é realmente um sentimento de alegria. É tão diferente do que enfrentamos em nossa cultura moderna, que a alegria é quase esmagadora em sua intensidade. É estranho quando comparado com a política externa, mas é a coisa mais natural no caminho dos nossos antepassados. No caminho do Folk.

O Frith está no coração de uma tribo. Está no coração da visão germânica do mundo. Uma vez que é estabelecido e entendido, o sente como completamente natural. E rapidamente percebemos porque nossa cultura moderna está falhando. Porque a depressão está tomando níveis tão elevados. Porque muitas pessoas estão sendo medicadas. Porque famílias estão falindo. Porque a nossa cultura está falindo. Nossa cultura moderna tem afastado propositalmente o coração do nosso povo. Homens e mulheres modernos são indivíduos em primeiro lugar. Buscando seus próprios interesses e seus próprios prazeres, tendo muito pouco contato com seus parentes ou aqueles que escolheram como parentes.

Nossos antepassados germânicos entendiam que sem Frith um indivíduo estava completamente sozinho no mundo. Sem Frith um homem não era nada. Era menos que nada. E ainda, nossa cultura moderna busca esse estado de ninharia como um objetivo.

Reconstruindo o caminho de nossos antepassados, nós devemos formar kindreds e tribos. Nós devemos estabelecer o Frith dentro desses kindreds e tribos. E então a energia, o trabalho e a Sorte que é criado irão direcionar o Folk adiante.

Mark

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Mark Ludwig Stinson - Chieftain of Jotun's Bane Kindred


[i] Essencialmente Shyld é um pagamento ou o que é devido. É um conceito pagão que quando alguém tinha cometido uma injúria ou feriu outra pessoa (e isso está ligado à honra) que um simples pedido de desculpa não corrigiria o dano causado. É preciso consertar o que se quebra. É preciso devolver o que foi tirado. Deve-se pagar o que foi devido. Shyld pode assumir muitas formas, assim como um presente pode assumir muitas formas. – Pelo próprio Mark Ludwig Stinson.
[ii] O Lawspeaker tem o papel de julgamento e da manutenção da paz na tribo. Antigamente o Lawspeaker era um membro da tribo escolhido tanto por sua imparcialidade e sabedoria, quanto por um conhecimento profundo das leis e precedentes legais de seu povo. – retirado de http://members.iquest.net/~chaviland/lawspeaker.html
[iii] A inculturação é um método de introduzir a cultura, aspectos culturais de um determinado povo à sua. Exemplo: Uma pessoa chega num lugar diferente em que as pessoas têm seus costumes, e essa pessoa acaba adquirindo aspectos culturais que não tinha em sua cultura. Esse tipo de cultura é quase que criado para a pessoa se tornar ou fazer parte de uma cultura à força. Trata-se de um termo típico do linguajar religioso e de recente utilização no discurso missiológico (Missões). Fonte:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Incultura%C3%A7%C3%A3o

domingo, 31 de julho de 2011

Trazendo nosso povo de volta à sua crença ancestral

Texto cedido e traduzido por Sharon Lee Loreilhe

Trazendo nosso povo de volta à sua crença ancestral



É uma daquelas “regras cardinais” do Ásatru, que “heathens não fazem proselitismo”. Isso sempre me deixou com a impressão de que nós heathens não estamos autorizados a informar as pessoas sobre a nossa religião e que nós certamente não podemos dizer-lhes que a nossa religião seria melhor para elas do que a que elas estão praticando agora. E esta impressão é reforçada pelos ocasionais avisos que eu receberia de que estou perigosamente perto de estar praticando o proselitismo ou definitivamente praticando o proselitismo. Mas, vamos nos aprofundar um pouco mais nesse assunto.
Eu escrevi um ensaio intitulado “Despertando o Paganismo entre Pessoas Normais” que discute vários métodos que podemos usar para educar membros não-heathens de nosso povo sobre os nossos deuses e nossa crença. Ele está localizado aqui: http://www.facebook.com/note.php?note_id=10150361728150123
E mais recentemente escrevi um ensaio chamado “Seus Ancestrais Eram Heathens...” que explicava a qualquer membro não-heathen de nosso povo que, independentemente de suas crenças religiosas, é interessante notar que seus antepassados eram heathens. Ele explica que o paganismo moderno está tentando reconstruir a nossa crença nativa. Ele está localizado aqui:
Estes são os tipos de ensaio sobe os quais ocasionalmente irei receber a desaprovadora reação de alguns heathens sugerindo que o que estou sugerindo é “proselitismo” e que nós, como heathens, nunca devemos fazer proselitismo. Geralmente a pessoa que está sugerindo isso vai além e sugere que o proselitismo é algo que os cristãos fazem... E é uma das razões pelas quais já não são mais cristãos. E isso implica que estou atravessando uma linha que não deveria ser cruzada.
Mito #1... Proselitismo é uma palavra suja
Em primeiro lugar, vamos ver a definição da palavra “proselitismo”. Um prosélito é uma pessoa que mudou de uma opinião, crença religiosa, seita, ou algo semelhante para outra, um convertido. E fazer proselitismo é “converter ou tentar converter como um prosélito; recrutar”
A palavra em si é muito simples e direta. É o simples ato de tentar convencer alguém para o seu lado das coisas. É mais usada em relação à religião, mas também pode ser usada em relação à política, debates, reuniões de negócio onde os lados são atraídos sobre um assunto, etc.
Agora muitas pessoas lêem todo tipo de outros significados para a palavra. Forçar; Manipulação; Intimidação; Ameaça; Passar Sermão; Citar as Escrituras; Incomodar as Pessoas; Insultar as Pessoas. Mas esses significados que muitas vezes são vistos na palavra tem mais a ver com como alguém faz proselitismo... Os métodos que emprega... Do que com o verdadeiro sentido da palavra.
Houve um tempo em que quase todos de nosso povo seguiam a crença ancestral. Mas esse tempo foi tirado de nós. Heathens modernos são nada mais do que uma pequena porcentagem de nosso povo, com a vasta maioria deles sendo cristãos, agnósticos ou ateus. A maioria sequer sabe que têm uma crença nativa como opção religiosa. A maioria sequer sabe que o heathenismo existe. Nós devemos comunicar aos não-heathens quem somos nós, o quanto o heathenismo significa para nós e como ele funciona bem para nossas famílias e para nós mesmos. Eu sinto que é minha obrigação informar os membros não-heathens do nosso povo sobre nossos Deuses e nossa crença ancestral. Eu pessoalmente sequer sabia que o heathenismo existia até os 37 anos de idade. Temos que fazer melhor que isso.
Agora, isso não significa que devemos ser agressivos, manipuladores, mercadores do medo, ameaçadores ou incômodos em nossa abordagem a esses membros não-heathens do nosso povo. Devemos ser honestos, diretos e simplesmente fornecer a informação que nossa atual cultura cristã-dominante suprimiu completamente.

Mito #2... Educar as pessoas irá ofender ou afastar as pessoas
Antes de mais nada, nossos ancestrais não eram pessoas quietas e mansas, constantemente preocupadas em pisar no calo de alguém com uma opinião contrária. Eles não mordiam a língua constantemente com medo de ofender as pessoas com a verdade. E eu também não vou fazer isso.
Não estou sugerindo que corramos atrás das pessoas dizendo para serem heathens ou “irão para o fogo do inferno”. Não estou sugerindo que assustemos as pessoas com a ameaça de que não verão seus amados familiares em sua vida após a morte, se não se converterem. Não estou sugerindo que digamos às pessoas que elas são más ou rejeitá-las em nossas vidas porque elas não são heathens. Eu não acho que deveríamos demitir as pessoas de seus empregos ou arruinar suas carreiras porque elas não são heathens. Nós, como heathens, não fazemos nada que lembre nem de longe o que odiamos sobre o proselitismo cristão... A forma de proselitismo com que estamos quase que exclusivamente familiarizados.
Eu estou falando de compartilhar informações com não-heathens. Permitir que saibam que nós existimos. Explicar as conversões do norte da Europa para eles, e o fato de que nossos ancestrais eram heathens. Descrever para eles o que é a nossa crença e porque ela funciona para nós. Celebrando nossos Deuses e deixando que os não-heathens saibam como e porque nós fazemos isso. E, como sempre, devemos estar vivendo boas vidas... Vidas que ilustrem que nossa crença é verdadeiramente natural e saudável para o nosso povo.
Um cristão convicto que está satisfeito com seu cristianismo certamente irá ignorar tudo o que dissermos. Eles poderão até mesmo se ofender que alguém tenha ousado comunicar a eles qualquer coisa que seja não-cristã. Mas, os cristãos satisfeitos não são realmente o alvo de nossos esforços de comunicação, de maneira alguma. Eles “já têm dono”. Estão confortáveis por estar em servidão a uma religião estrangeira, e estar de joelhos para um deus estrangeiro.
O alvo de nossas comunicações devem ser aqueles membros do nosso povo que estão insatisfeitos com a religião estrangeira. Aqueles que estão praticando “mais-ou-menos”, por obrigação ou por hábito. Aqueles que irão literalmente reviver quando aprenderem sobre nossa crença e começarem a investigá-la mais de perto. Eu rejeito a idéia de que dividir a informação sobre nossa crença com esses membros de nosso povo irá ofendê-los ou afastá-los. Costumamos falar de como o heathenismo foi como “uma volta para casa”. Se nós realmente acreditamos que isso é espiritualmente verdadeiro não devemos acreditar que aqueles com quem partilharmos essas informações poderão eventualmente sentir o mesmo? Não irão as águas de nossa fé seguir um curso familiar para eles também?

Mito#3... Cristãos fazem isso, então não deveríamos
Há essa reação automática entre muitos heathens contra qualquer coisa vagamente cristã. De certa forma, essa reação automática se estende a qualquer esforço em dizer a qualquer não-heathen que o heathenismo é uma coisa boa e que talvez eles devessem investigar. Essa reação “contra-o-cristianismo” é natural e compreensível, mas nós precisamos superar isso.
Em algum ponto o heathenismo precisa ser superior ao cristianismo e não em reação a ele. Precisamos fazer escolhas acertadas e lógicas sobre nossas ações que são conduzidas pelo que é bom para nós e bom para o nosso povo. Essas escolhas devem ser feitas sem qualquer necessidade de ser contra qualquer coisa que seja vagamente ligada de alguma forma tênue com o que os cristãos fazem. Quem se importa que eles façam isso sempre? Isso é problema deles.
Precisamos definir nosso próprio caminho e fazer o que é certo para nossos descendentes. Eu quero que meus filhos vivam num mundo em que mais gente de seu povo haja voltado para sua crença ancestral. Quero que meus netos vejam ainda mais heathens no mundo... E meus bisnetos ainda mais. Isso é algo que podemos fazer. Se comunicarmos de forma adequada, se trabalharmos duro, se vivermos vidas que mostrem que vivemos de acordo com o que pregamos... Então o heathenismo irá crescer como deveria. Esses caminhos que seguimos são naturais para o nosso povo. É lógico que se souberem a respeito desses caminhos e perceberem que é uma opção viável, então o heathenismo irá crescer.

Mito#4... Heathens devem ser chamados pelos Deuses
Às vezes, eu ouço dizer que novos heathens devem ser chamados pelos Deuses. Se os Deuses não os chamaram, então eles não estarão “voltando para casa” afinal. Isso sempre me confundiu.
Em quase nenhuma outra área de nossas vidas como heathens nós pedimos aos Deuses para fazer por nós. Em quase todas as outras áreas, nós dizemos que nós devemos fazer nós mesmos. Nós conseguimos as coisas através de nossos próprios esforços. Nós não imploramos aos Deuses para fazer as coisas por nós. Nós não ficamos sentados esperando que eles nos salvem... Ou que nos façam favores pessoais. Como heathens, nós nos mexemos e fazemos as coisas acontecerem.
Por que não deveria sê-lo também em trazer o nosso povo de volta à crença ancestral? Eu acho que os Deuses nos observam. Acho que eles podem nos dar um empurrãozinho de vez em quando. Mas é uma religião que acredita verdadeiramente que os Deuses ajudam aqueles que se ajudam. E se acreditamos que mais gente do nosso povo deveria ser heathen, então isso é algo em que devemos trabalhar para obter... Como tudo nessa vida.

Mito#5... Devemos deixar que o Wyrd siga seu curso
O mito#5 é similar ao mito#4, na medida em que coloca o futuro do heathenismo nas mãos de terceiros. Ele desvia a responsabilidade pela saúde e crescimento de nossa crença ancestral a alguma força invisível. Alivia-nos de qualquer responsabilidade ou culpa sobre a questão. Eu simplesmente não sou esse tipo de pessoa. Eu não acho que nossos ancestrais eram esse tipo de pessoa. Se eles queriam algo, eles faziam acontecer. Ou se mexiam tentando fazer com que acontecesse.
O Wyrd irá seguir seu curso, mas eu certamente farei todos os esforços para conseguir as coisas que quero nessa vida. Vou ralar para dar forma a esse mundo através do meu esforço e determinação. É claro que haverá contratempos e problemas e solavancos na estrada... Mas isso não deve deter nenhum de nós. Talvez o nosso Wyrd seja que devemos nos mexer e trazer mais gente do nosso povo de volta para casa? Eu certamente rejeito a idéia de que nosso Wyrd seja de nos sentarmos, cruzarmos os braços e esperar que uma força invisível os traga para casa.

Trazendo nosso povo de volta a sua crença ancestral
Comunicar aos membros não-heathens de nosso povo sobre nossos caminhos e deixar que saibam que esses caminhos funcionam bem para nós será taxado de proselitismo por alguns. E por definição eles não estão errados. Nós estamos tentando educar nosso povo de que sua crença ancestral é uma opção religiosa viável. E pode enriquecer e melhorar suas vidas e de suas famílias. Nós estamos tentando trazer mais gente não-heathen de nosso povo para casa, para o caminho de seus ancestrais.
E fazemos isso em nossos próprios termos. Nós não usamos técnicas manipulativas e baseadas no medo que os cristãos usam. Nós não trazemos a eles essas informações de forma desagradável ou imprópria. Nós trazemos essas informações a eles de forma direta e honesta, como tentamos fazer em todas as coisas.
Nós devemos falar para as pessoas sobre a nossa fé porque o conhecimento de nossa fé foi suprimido. Devemos contar a eles como ela funciona porque, como membros de nosso povo eles merecem saber.
Se for proselitismo dizer aos membros não-heathens de nosso povo que seus ancestrais eram heathens e que eles poderiam ser mais felizes se retornassem ao caminho de seus ancestrais então eu alegremente sou culpado das acusações. Eu simplesmente não vou seguir essa idéia heathen cabeça dura de que “heathens não fazem proselitismo”. Nós temos a obrigação de comunicar ao nosso povo quem seus ancestrais foram e em que eles realmente acreditavam, e compartilhar com eles porque isso funciona tão bem para nós.

Mark Ludwig Stinson
Kindred Jotun’s Bane
Temple of our Heathen Gods
Translated to Portuguese by Sharon Lee Loreilhe

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